Nina sempre foi do tipo que equilibrava o mundo inteiro em suas costas. Apesar do jeito tranquilo e voz calma, ela pura teimosia. Era dessas que acreditavam que insistir era sinal de força em qualquer cenário, nos amores, nos projetos, e quanto mais difícil melhor ela era.
Só que ninguém havia avisado para ela que há lutas que não se vencem pela força.
O ano inteiro parecia um cabo de guerra: de um lado Nina, dando tudo de si, e do outro, tudo aquilo que ela tentava manter de pé: um relacionamento que só pesava, uma carreira que só exigia, expectativas de ser sempre mais. Ela puxava a corda do cabo de guerra que havia se tornado sua vida, até os braços doerem, achando que desistir seria um claro sinal de fracasso.
Mas puxar demais machuca. Segurar demais prende e aos poucos você se esquece de porquê havia começado tudo aquilo.
Numa tarde silenciosa de dezembro, as vésperas de Natal, exausta do que se tornou rotina, Nina se deu conta de que não havia mais ninguém puxando a corda do outro lado. Só o peso morto de algo que ela mesma não soltava.
Aquilo tudo não era uma disputa, era ela lutando contra si mesma.
Sentou-se no chão, já exausta, a respiração saiu trêmula, indícios que uma nova crise de ansiedade estava para chegar.
“E se eu simplesmente largar?”, ela pensou.

A pergunta a assustou assim que surgiu em sua mente, mas ao mesmo tempo, libertou. Naquele momento, perto de mais um colapso ela percebeu que não queria mais insistir.
Com o coração disparado, Nina decidiu que ela iria soltar “a corda”. Então tudo aquilo que ela tentou equilibrar o ano inteiro em sua mente caiu. E, para sua surpresa o mundo não desabou. Ela também não.
Pela primeira vez em meses, na sua mente havia apenas o silêncio, uma ausência de barulhos que não era sinal de derrota, era enfim descanso. Um silêncio que cabia nela.

Naquele momento Nina entendeu: vencer também significava permitir que coisas terminassem, que pessoas fossem, que versões dela se despedissem. Era aceitar que, às vezes, a coragem não está em continuar segurando, mas em soltar.
A partir daquele dia, Nina passou a escolher quais batalhas valiam seu peso. E descobriu que, quando se larga a corda certa, o mundo abre espaço para que as mãos finalmente possam segurar outras coisas mais importantes, leves, e que a conectassem com quem ela realmente era.
Porque afinal, algumas vitórias acontecem no exato momento em que decidimos parar de lutar.

