As páginas que aquecem

Naquela véspera de Natal, a pequena livraria estava silenciosa, exceto por um grupo de mulheres que, como mandava a tradição, todos os anos se reuniam para a última leitura coletiva antes das festas.

Elas eram diferentes em quase tudo e quem visse de fora podia achar que eram o grupo mais estranho: idades variadas, histórias de vida que não combinavam entre si, estilos completamente distintos. Mas uma coisa as unia: o amor pelos livros.

Marina entrou por último, com os olhos marejados. Ninguém precisou perguntar, naquele grupo, as entrelinhas sempre falaram mais alto que qualquer palavra dita. Ela havia vivido um ano difícil, cheio de perdas invisíveis, mas ali, entre aquelas mulheres que se tornaram suas amigas com o passar dos anos, sentia-se inteira novamente.

Clara puxou uma cadeira ao lado dela. Júlia entregou uma manta macia. Sônia colocou uma xícara de chocolate quente entre suas mãos. Não disseram nada, não precisavam.

A leitura começou, mas logo o clima mudou. Em vez de discutirem o enredo, elas começaram a falar sobre a vida, sobre medos, conquistas, erros, e sobre como o Natal sempre traz uma esperança que o ano difícil enfim se encerre e de como o próximo será melhor.

No meio da conversa, Marina finalmente respirou fundo e falou:

— Eu achei que ia passar esse Natal me sentindo sozinha mais uma vez — disse baixinho. — Mas vocês se tornaram meu lugar seguro.

As amigas se entreolharam, com aquela certeza que só existe entre mulheres que aprenderam a se apoiar sem medir esforço. Mariana tinha entrado para o grupo fazia pouco menos de 2 meses, mas ela logo se sentiu acolhida.

— Livros nos trouxeram até aqui — respondeu Sônia — mas é o companheirismo e amizade que a gente criou que nos mantém juntas.

E então elas brincaram que eram como capítulos de um mesmo livro com diferentes pontos de vista dos personagens: cada uma com sua voz, mas todas contando a mesma história.

Quando saíram da livraria, a neve começava a cair como pequenos confetes brancos. Marina olhou para o céu e sorriu pela primeira vez em semanas. Percebeu que, às vezes, o melhor presente de Natal não vem embrulhado, vem em forma de abraço, de escuta, de presença.

E naquele instante, ela soube: ter amigas que te apoiam é como segurar um livro querido no coração, traz conforto, aconchego, transforma e, de certo modo, salva.

Aquela noite terminou com risadas ecoando na rua vazia, como se o mundo inteiro estivesse, por um momento, em perfeita harmonia. E, ali, entre páginas e afetos, elas descobriram que o verdadeiro espírito natalino é saber que ninguém precisa enfrentar o inverno sozinha.

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