Clara sempre esperava o Natal com o mesmo entusiasmo todos os anos, mas naquele dezembro em particular, algo mudou. Não foi a neve que começou mais cedo, nem as luzes que já estavam sendo acesas, foi o garoto que voltou.
Lucas, o primeiro amor de sua vida.
Eles tinham apenas doze anos quando se conheceram e juntos fizeram o boneco de neve mais torto da rua. Ele colocou um cachecol que cheirava a refrigerante e Clara riu tanto naquela tarde que esqueceu do frio. Foi assim a que Clara descobriu o que era amar alguém além de sua família, mesmo sem entender direito por quê. E foi naquele mesmo ano que ele se mudou para outra cidade, levando com ele o sorriso e a promessa de voltar.
Anos se passaram e ela simplesmente não recebeuqualquer tipo de notícias dele. E agora, ali estava ele, parado em frente à árvore gigante da praça, mais alto, mais bonito, mas com o mesmo olhar do menino que ela se apaixonou.
— Clara? — disse ele sem ter certeza de que realmente fosse ela.
Ela sorriu, surpresa, um pouco confusa com aquele misto de sentimentos — Você voltou mesmo.
Lucas deu de ombros, mas seus olhos brilhavam — Prometi, não prometi?
— Prometeu, mas você demorou tanto que eu já não acreditava mais.
Eles caminharam pela feirinha de Natal, tomando chocolate quente e contando sobre os anos que não viveram juntos. Não havia aquela tensão que Clara tinha certeza que existiria pela distância dos dois, apenas a sensação de reencontrar algo importante, como se o tempo tivesse cuidado com carinho do que era deles.
Quando começaram a cair os primeiros flocos de neve da noite, Clara parou, o rosto voltado para cima.
— Lembra quando a gente dizia que a primeira neve de dezembro realiza desejos? Ela fechou os olhos — Eu desejei te ver de novo.
Lucas respirou fundo, como se tivesse esperado anos para dizer aquilo — Eu desejei voltar pra você.
E naquele instante, enquanto a praça inteira parecia prender o fôlego, ele segurou a mão dela, como se estivessem novamente com doze anos, com um boneco torto, um cachecol e o coração aprendendo o que era amor pela primeira vez.
A neve continuou caindo e Clara percebeu que alguns primeiros amores não são feitos para ficar no passado. Este parecia realmente um milagre de Natal.

