Na véspera de Natal, Helena caminhava pela cidade iluminada enquanto admirava as luzes de Natal que pareciam estrelas grudadas nas casas e prédios. Cada vitrine parecia competir por atenção: árvores gigantes, laços enormes, brilhos que quase cegavam.
Tudo era tão lindo e ao mesmo tempo tão distante do que ela poderia ter naquele ano.
Com a cabeça cheia de preocupações, ela suspirou antes de virar a esquina da sua rua. Ali, tudo parecia mais silencioso e menos mágico. As luzes eram poucas espalhadas pelas janelas e no pequeno apartamento onde morava, a única decoração que podia ser vista era uma estrela de papel que sua filha, Betty, de cinco anos, tinha feito na escola com tanto carinho.
Quando Helena empurrou a porta, encontrou Betty sentada no chão, cercada de tampinhas, cartolinas cortadas tortas e restos de glitter que grudavam em tudo. Cansada do dia ela só conseguiu pensar no trabalho que daria limpar tudo aquilo mais tarde.

— Mamãe! — a menina sorriu, com os olhos brilhando de felicidade — Eu fiz uma árvore para nossa casa!
Era só um cone de papel verde, meio amassado, coberto de adesivos e tampinhas coloridas. E, no topo, um pedacinho da estrela que havia sobrado do artesanato da escola.
Helena sentiu a garganta apertar, como ela queria ter condições de dar uma árvore de verdade para sua filha, e tão pouco conseguiria comprar presentes naquele ano. A verdade é que se eles tivessem uma ceia no mínimo decente já seria muito.

Sentou no chão ao lado da filha e juntas colaram mais adesivos, riram quando o glitter voou para o cabelo das duas, inventaram histórias sobre cada tampinha colorida e, por alguns minutos, todos os problemas pareciam ter ficado do lado de fora da porta.
Quando terminaram, apagaram a luz e observaram a pequena árvore simples, iluminada apenas pela claridade que vinha da rua.
— Está perfeita — Helena disse.
— Sabia que você ia gostar — Betty respondeu, orgulhosa. — Porque o Natal não precisa ser grande e chique. Só precisa ser nosso.
E naquele instante, Helena entendeu: felicidade não era as milhares de luzes e decorações que brilhavam nas vitrines, mas o simples que aquecia por dentro. As risadas compartilhadas, a família, a esperança de uma garotinha de apenas 04 anos. A felicidade não precisava de muito para ser vivida, desde que o amor estivesse presente.
A noite seguiu tranquila, cheia de risadas, abraços e uma árvore de tampinhas que iluminava mais que qualquer decoração cara. Foi assim que Helena descobriu que, no Natal, o simples não é pouco. O simples pode ser tudo.
